Regras do Debate
O Centro Debate é hoje o escritório político do Senador Jarbas Vasconcelos no Recife. Ao longo dos seus 24 anos de existência, abrigou o embate democrático de idéias e proposições políticas da militância do PMDB e de partidos aliados. Foi uma casa aberta ao debate, com destaque para a construção de programas de governo em memoráveis campanhas eleitorais desse período.
Honrando essa tradição, a equipe que coordena o escritório lança agora uma iniciativa diferente, adequada aos tempos atuais: uma Sala de Debates na internet, permanentemente aberta a todos, sem distinção partidária, que queiram discutir temas relevantes para Pernambuco e para o Brasil. Não se trata, portanto, da discussão com fins eleitorais, mas será claramente uma fonte de consulta para o posicionamento do Senador Jarbas Vasconcelos.
Este projeto se inspira nos debates on-line da revista inglesa The Economist. A revista, por sua vez, se baseou na tradição secular de Oxford, que tornou famosos os debates em que uma proposição é defendida por um debatedor e atacada por outro, mediados por um moderador. Na versão on-line, cada debatedor tem três chances de persuadir os leitores (que podem comentar e votar): na abertura, na fase de réplica e no encerramento.
Neste caso do Centro Debate, as regras são as seguintes:
- são quatro as fases, que devem durar poucos dias: abertura, réplica e tréplica, com uma fase final de conclusão em que o mediador faz um resumo do debate depois de concluída a votação;
- a civilidade deve predominar, evidentemente, e o moderador NÃO publicará comentário sem aderência ao tema ou que tenha termos ofensivos;
- os comentários serão dirigidos ao moderador, Cláudio Marinho, coordenador do escritório e responsável pela administração da Sala de Debates, que deverá publicá-los, se pertinentes, no prazo máximo de 8 horas;
- as pessoas podem participar do debate com uma simples inscrição de usuário e senha;
- os participantes podem comentar e votar, somente comentar ou apenas votar;
- e podem mudar o voto (uma vez a cada dia) na medida em que se convençam com os argumentos pró ou contra a proposição inicial;
- eventualmente, além dos debatedores especialmente convidados para cada tema ("no ataque", "na defesa"), o coordenador poderá convidar outros moderadores e pessoas que tenham ponderações importantes para enriquecer os debates;
- sugestões de temas para o debate serão muito bem recebidas e podem ser feitas diretamente ao coordenador (cmarinho@centrodebate.org).
Portanto, caro leitor e eventual participante dos debates, seja bem-vindo! Nós do Centro Debate temos posição, sim, sobre questões relevantes para Pernambuco e para o Brasil, mas queremos discuti-las abertamente. Se seus argumentos forem bons e nos convencerem, não teremos problema nenhum em mudar de posição.
Afinal, que tem idéia fixa é doido.
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Eleições na internetO uso da internet nas campanhas eleitorais deve ser livre. |
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30Abr
2009
3Mai
Abertura
2009 |
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4Mai
2009
7Mai
Réplica
2009 |
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8Mai
2009
9Mai
Tréplica
2009 |
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Ponderações:Carlos Neves Filho |
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10Mai
Conclusão
2009 |
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Considerações do moderador
José Carlos Cavalcanti
Professor-doutor em Economia, UFPE, Recife
Estamos na fase agora da tréplica. Segundo as regras desta ferramenta online, é a última oportunidade para os debatedores sensibilizarem mais audiências.
Já temos uma estatística associada a esta Sala de Debates que surpreende. Até o momento de redação deste texto (21:46h do dia 07/05) a Sala contava com 265 inscritos (nos 2 debates). Até então neste debate foram gerados 42 comentários e 80 votos. Foram 579 visitantes únicos nos 2 debates, o que representa mais que o dobro dos inscritos.
Andei pensando um pouco sobre as razões que estão levando aos números aqui colocados. Por quê será que tem mais votos do que comentários? Por quê será que tem muito mais visitantes do que inscritos?
Quanto à primeira questão, tenho a impressão que as pessoas estão percebendo que este debate é pouquinho mais complicado do que imaginavam. Entender os termos da discussão não é algo tão simples quanto se possa imaginar. Daí uma maior propensão ao comportamento binário, do tipo: a) De um lado, se existe a Internet e ela é livre e é boa, então eu sou a favor da eliminação das restrições, e sou contra o que proibe o seu uso; b) Por outro lado, se existem abusos na Internet e nós não temos formas adequadas de controlá-la, então é melhor criar mecanismos que impeçam a ampliação do abuso, por isso eu sou a favor das restrições.
Além do mais, "para que queimar neurônios em algo tão complicado? Logo, é melhor colocar meu voto e pronto"!
Quanto à segunda questão, creio que existe muita curiosidade para tudo que é novo. Daí que alguns visitam, dão uma varredura geral e vão embora. Uma parcela faz a mesma coisa, mas termina se encantando como a possibilidade de exercer seu direito de voto; aí se inscrevem e votam. Afinal, é gratuito!
Mas uma questão, talvez (creio), não esteja sendo levada em consideração. Esta Sala pode ser um verdadeiro experimento de Democracia Deliberativa para poder influenciar a nossa atual Democracia Representativa (que, em função dos recorrentes escândalos no Congresso Nacional, vem sendo duramente criticada). Se nós formos mais estatisticamente significativos, podemos até criar uma legislação nova que aprimore a atual e elimine as distorções do atual conjunto normativo em torno deste debate.
Neste espírito, acredito que ainda há um tempinho suficiente para alterar o voto, apesar do score ter-se mantido estável ao longo da votação até então.
Sendo assim, vamos à definição final da votação, que se encerra na noite do sábado. Daí, como instruído por Cláudio Marinho, eu faço um comentário de fechamento, tentando resumir pontos do debate.
Tréplica do ataque
Orson Lemos
Assessor-chefe da Corregedoria do TRE-PE
Agradeço ao espaço concedido pelo centro de debate, que proporcionou de forma democrática, dinâmica e moderna um debate sobre campanha eleitoral na internet. Aproveito o momento para conscientizar da necessidade de mais locais que debatam a política e necessidade de mudanças.
A defesa apresentou como centro de seus argumentos A LIBERDADE TOTAL E IRRESTRITA DO USO DA INTERNET. Parece fácil. Um simples aperto de tecla de computador e como um passe de mágica seria permitida a campanha eleitoral aberta na internet. Vejam a idéia apresentada pela defesa:
"mude-se a lei, para que seja possível utilizar, de forma amparada pelo contexto legal, a internet nas campanhas.
de mais de uma forma, aliás, não deveria haver qualquer regulamentação de uso de internet em coisa alguma, no país, inclusive eleições. tal [suposta] necessidade de regulamentação do uso da web, no brasil, se dá porque temos um ambiente social hiperregulado... o que torna o país um de mais altos custos de transação social para se fazer quase qualquer coisa."
Em um passado não tão distante da nossa história a luta era pela democracia e participação do povo, sendo necessário acabar com a ditadura. A tão desejada democracia, todavia, necessita de leis que determinam os direitos e deveres de um povo e seus limites. A ideia de internet sem leis ou regras passa uma idéia de INTERNET COM ANARQUIA.
Nossa Carta Magna, base da nossa democracia, determinou que certos princípios são tão importantes que jamais deveriam ser modificados motivo pelo qual são denominados de CLAÚSULAS PÉTREAS estando aí inseridos o direito de resposta, direito do contraditório e da ampla defesa. Não se pode pensar em política ou campanha eleitoral sem que sejam respeitados tais princípios. PORTANTO, NÃO PODE HAVER INTERNET SEM REGRAS.
Afinal de contas UTILIZAR OU NÃO A INTERNET NAS CAMPANHAS POLÍTICAS? Não vamos relatar serem corretas ou erradas as decisões recentes dos Tribunais, pois para isto existem recursos (remédio constitucional da democracia) meio próprio em que o brasileiro deve acostumar a utilizar em local e hora adequada, pois o que esta fora do mundo jurídico é o chamado popular de “juízo esperniando”.
Temos em nosso ordenamento o princípio do “checks and balances” ou “freios e contrapesos” o qual estabelece que cada poder existente fiscaliza o outro e assim eles se equilibram. Querer acabar com um destes poderes, como sugeriram, por atrapalhar interesses particulares de um setor da comunicação é inaceitável. Ao invés disto deveriam ser apresentadas sugestões que permitissem ao Congresso legislar tornando possível a utilização deste maravilhoso meio de comunicação durante a campanha eleitoral.
Devemos ainda lembrar que utilizar internet para fazer política é proibido apenas nos 90 dias que antecedem as eleições, ou seja, a partir de 1º de julho do ano da eleição. Consequentemente é possível para o povo conhecer, debater e participar da política na internet nos outros 640 dias, já que as eleições ocorrem de dois em dois anos. Quer exemplo maior do que este espaço em que estamos debatendo?
O Candidato possui o direito de utilizar a internet dentro do sistema “.can” e mesmo assim quase não se utiliza chegando a ser ignorado. Talvez pelo fato de ser possível controlar em local tão restrito, ou talvez não haja interesse em utilizar a internet. Se é tão necessário campanha na internet porque os candidatos não utilizam os limites autorizados?
Levanto um dado interessante. Já que temos mais de 30 partidos registrados no país, 513 deputados, 81 senadores, 27 governadores, 5.500 prefeitos e quase incontáveis vereadores, sindicatos e associações, todos com acesso aos diversos meios de portais da transparência que apresentam na internet os gastos utilizado com nosso dinheiro, porque apenas a imprensa conseque enxergar as falhas? Não tenho conhecimento de qualquer grupo de orkut, sala de bate papo ou comunidades existentes na internet serem os responsáveis por descobertas, ou indicação do mau uso do dinhero público.
Desejar a utilização da internet na campanha política por ser bonito imitar americano não demonstra conhecimento ou evolução de um povo. Vejam o que ocorreu duas semanas atrás em Brasília. Imaginem um político podendo falar em sua campanha eleitoral, sem regras, sobre o adversário e apresentando fatos e dados inverídicos em local sem regras.
“Google diz que a empresa pode ser punida se relevar dados de usuários à Justiça brasileira.
Em audiência pública realizada na tarde desta quarta-feira (26/04) na Câmara dos Deputados, em Brasília, o diretor jurídico da Google Inc., David Drummond, disse há pouco que a empresa pode ser punida se permitir à Justiça brasileira acesso a dados de seus usuários, já que se baseia nos Estados Unidos, país que garante o sigilo dos internautas.
Drummond respondia ao procurador-regional dos Direitos do Cidadão no Estado de São Paulo, Sérgio Gardenghi Suiama, que acusou a Google de ser a única empresa de internet que não coopera com a Justiça brasileira nas investigações de crimes, especialmente relacionados a comunidades do Orkut. administrado pelo Google.
O representante da Google, que participa de audiência pública sobre o assunto na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, disse que todas as informações que constam no Orkut ficam situadas nos Estados Unidos ou na Grã-Bretanha."
Diante deste fatos e argumentos e, da falta de cooperação das empresas Americanas com a justiça e leis brasileiras quando crimes são cometidos, é que entendo porque o Congresso não tem, ainda, condições de permitir livre acesso de campanhas eleitorais na internet, pois aqui não é terra de ninguem ou não seguimos apenas as regras dos YANKES por serem bonitas e modernas. Boas ou ruins estas são as leis que temos e à Justiça compete apenas aplicá-las.
O que é bom e possível será sempre utilizado com aval do TSE. Vejam o fato do presidente Lula logo em breve poder debater no site do planalto por estar sendo criando um blog para o Presidente Lula falar com os eleitores, visto que em recente entrevista de Obama pela internet no site da Casa Branca, os internautas postararam 100.000 perguntas e 3,6 milhoes de votos. Isto interessa aos políticos, pois é contato com o povo, é canal aberto para darem suas opiniões. Lembro aos senhores que isto não é proibido pelo TSE ,pois não é época eleitoral.
Devido a possibilidade de reeleição de um político que já esteja no poder, foi necessário ao congresso estabelecer as condutas vedadas aos agentes públicos art. 73 da Lei das Eleições 9.504/97. São elas que proibem que um candidato utilize a máquina do governo para fazer campanha pessoal. Razão pela qual ações, serviços e atitudes dos políticos são proibidas durante o momento da campanha eleitoral. Portanto, qual a solução para manter a igualdade de condições entre os candidatos, se fosse possível a permanência durante o período de campanha eleitoral de programas de TV, rádios e internet?
Senhores, o TSE cumpre leis para garantir aos eleitores sua vontade nas urnas, sua extinção é acabar com a democracia e retornar a épocas em que nossos pais e avós pediam por leis que regulassem direitos iguais. Se as leis não são boas as decisões também não serão. Culpar apenas quem as aplica não demonstra ser uma sábia solução.
MAIS UMA VEZ A RESPOSTA A PERGUNTA DESTE DEBATE É NÃO, POIS NÃO EXISTE ATUALMENTE LEIS QUE REGULAMENTEM O USO SEGURO PARA CAMPANHA ELEITORAL, E AS QUE TEMOS NÃO NOS DÁ AS CONDIÇÕES DE CONDUZIR DEBATES NO MUNDO VIRTUAL E MANTER OS DIREITOS GARANTIDOS POR NOSSA CARTA MAGNA. VOCÊ ESCOLHEU ESTA REGRA, POIS FOI O NOSSO POLÍTICO QUE ASSIM DECIDIU EM BRASILIA, AGORA SIGA-O OU MUDE-O.
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Para Cláudio Marinho, que tal debatermos a tal lista eleitoral, cujo projeto ou está tramitando ou tramitará no Congresso.Achei esta hipótese tão absurdamente nazista, que gostaria, se puderem os organizadores dos debates que a debatessemos. No mais, parabéns pela iniciativa e pelos temas, embora tenha ouvido no programa do Jô, que o financiamtno público de campanha, isto dito pela Lúcia Hipólito, seria um estelionato político. Helena Roesele
9/5/2009, 20h16
Como debatedor não posso mais apresentar texto, mas aproveito o espaço para comentários para a agradeçer a todos os que postaram seus comentários e assim enriqueceram o presente debate. O assunto é por demais polêmico devido a falta de legislação clara e inumeras resoluções do TSE regulamentando, "remendando" e complementando leis. convido os participantes a apresentarem mais argumentos nesta reta final do debate, bem como a votarem, pois quando temos um local para falar de política na internet, devemos aproveitar mais.Lembro a todos que nas eleições passadas os candidatos deveriam apresentar seus gastos de campanha pela internet durante a época de campanha, mas devido a falta de uma sanção expressa na lei, menos de 2/3 dos candidatos apresentaram seus gastos na rede internacional de computadores. Mas ninguém os questionou e a internet não mudou o voto das pessoas. Ainda dá tempo, envie seu comentário, participe. Há apenas para lembrar, o debatedor não é proibido de enviar comentários. Orson Lemos
9/5/2009, 9h23
A participação democrática popular é fundamental, qualquer que seja seu meio. Quanto a votações pela internet, é presico muito cuidado para legitimar este processo, pois a montagem de estruturas e aplicação de códigos deve ser segredo de estado. Mas é certo que em muitos casos, pessoas de bem procuram se expressar mais pela net que de forma presencial. Os dados coletados devem ser amplos e abertos. A justiça eleitoral deve dispor de regras de conduta bem esclarecidas, sem margem para ambiguidades. Utilizar a internet em benefício da população, de forma soberana e legítima, será um grande avanço para o estado de direito.
8/5/2009, 9h29


Oi Helena, aqui Cláudio Marinho: o tema do voto em lista é quente, merece discussão e é importante para o país. Do debate anterior (sobre financiamento de campanha) a gente já concluiu que precisa discutir mesmo é a reforma política mais ampla, com o detalhe de que tinha que começar por algum lugar -- daí termos começado pelo financiamento. Mas vamos partir pra essa nova discussão. VOCÊ não quer nos ajudar? Pense numa proposição [lembre-se: o desafio é o de estabelecer o contraditório democrático, o sim e o não], sugira nomes de debatedores. Melhor: convide-os, seja a mediadora. Eu abro uma sala pro tema, problema zeor. Me mande um email e vamos conversar.
9/5/2009, 22h39