Debate

Sala de Debates

Escritório do Senador Jarbas Vasconcelos no Recife

Quinta-feira, 11 de Março de 2010

Regras do Debate

www.centrodebate.org

O Centro Debate é hoje o escritório político do Senador Jarbas Vasconcelos no Recife. Ao longo dos seus 24 anos de existência, abrigou o embate democrático de idéias e proposições políticas da militância do PMDB e de partidos aliados. Foi uma casa aberta ao debate, com destaque para a construção de programas de governo em memoráveis campanhas eleitorais desse período.

Honrando essa tradição, a equipe que coordena o escritório lança agora uma iniciativa diferente, adequada aos tempos atuais: uma Sala de Debates na internet, permanentemente aberta a todos, sem distinção partidária, que queiram discutir temas relevantes para Pernambuco e para o Brasil. Não se trata, portanto, da discussão com fins eleitorais, mas será claramente uma fonte de consulta para o posicionamento do Senador Jarbas Vasconcelos.

Este projeto se inspira nos debates on-line da revista inglesa The Economist. A revista, por sua vez, se baseou na tradição secular de Oxford, que tornou famosos os debates em que uma proposição é defendida por um debatedor e atacada por outro, mediados por um moderador. Na versão on-line, cada debatedor tem três chances de persuadir os leitores (que podem comentar e votar): na abertura, na fase de réplica e no encerramento.

Neste caso do Centro Debate, as regras são as seguintes:

  • são quatro as fases, que devem durar poucos dias: abertura, réplica e tréplica, com uma fase final de conclusão em que o mediador faz um resumo do debate depois de concluída a votação;
  • a civilidade deve predominar, evidentemente, e o moderador NÃO publicará comentário sem aderência ao tema ou que tenha termos ofensivos;
  • os comentários serão dirigidos ao moderador, Cláudio Marinho, coordenador do escritório e responsável pela administração da Sala de Debates, que deverá publicá-los, se pertinentes, no prazo máximo de 8 horas;
  • as pessoas podem participar do debate com uma simples inscrição de usuário e senha;
  • os participantes podem comentar e votar, somente comentar ou apenas votar;
  • e podem mudar o voto (uma vez a cada dia) na medida em que se convençam com os argumentos pró ou contra a proposição inicial;
  • eventualmente, além dos debatedores especialmente convidados para cada tema ("no ataque", "na defesa"), o coordenador poderá convidar outros moderadores e pessoas que tenham ponderações importantes para enriquecer os debates;
  • sugestões de temas para o debate serão muito bem recebidas e podem ser feitas diretamente ao coordenador (cmarinho@centrodebate.org).

Portanto, caro leitor e eventual participante dos debates, seja bem-vindo! Nós do Centro Debate temos posição, sim, sobre questões relevantes para Pernambuco e para o Brasil, mas queremos discuti-las abertamente. Se seus argumentos forem bons e nos convencerem, não teremos problema nenhum em mudar de posição.

Afinal, que tem idéia fixa é doido.

Entendi, pode fechar

O jeitinho brasileiro

No fim das contas, o jeitinho brasileiro é positivo para o país.

11Mai
2009
14Mai
2009
Abertura
       
       
15Mai
2009
18Mai
2009
Réplica
       
       
19Mai
2009
20Mai
2009
Tréplica
   
   
21Mai
2009
Conclusão
 
 

Considerações do moderador

João Alencar

Estudante de Jornalismo da UFPE

Chegamos à segunda fase do debate. Como esperado, o tema é polêmico. Argumentos a favor e contra são igualmente enriquecedores. Só para citar algumas das intervenções, o internauta André Cavalcanti afirmou: “Fazer a apologia de um comportamento social denominado ‘Jeitinho Brasileiro’ como tal se entende, é negar totalmente a empatia e a simpatia. O que eu vejo é um povo que diante de tantas dificuldades, enfrenta e lida no seu cotidiano com situações que exigem muita criatividade e bom senso”.

Por outro lado, o internauta Antônio Gomes Lacerda defende uma posição contrária: “Jeitinho brasileiro = furar filas, mentir, subornar o guarda, apanhar atestado medico sem está doente e muitas outras coisas, finalizando, farra das passagens aéreas dos deputados. (...) Eu corrompendo o guarda de transito = ser esperto. O dono da empreiteira corrompendo o político ou funcionário público = mau-caratismo corruptor etc.”.

Houve também quem analisou o jeitinho sob óticas distintas: “O ‘jeitinho’ como característica do ‘homem cordial’, traço cultural que permeia a personalidade e o modo de ser do brasileiro. Por outro lado temos o ‘jeitinho’ como instrumento maior da ‘lei de Gerson’, característica marcante da maioria dos nossos políticos e burocratas espertos. Toda moeda tem dois lados”, opinou Noel Bustorff.

Há ainda os internautas que questionaram diretamente os debatedores sobre pontos específicos dos seus discursos. Foi o caso do comentário assinado com o codinome de ‘naturezaágua’: “A Cassius, eu diria que não se fazem leis com o jeitinho embutido, e se o usamos para fazer com que as leis passem... estamos prejudicando àqueles que não tem tanto acesso ao político. Com Dacier sou obrigado a concordar pelo enfoque que deu à troca de favores ao citar amigos e inimigos, mas gostaria de lhe dizer que falta, aos homens das leis, pregarem menos e praticarem mais a igualdade, prevista na constituição. Não somos amigos e inimigos. Somos TODOS cidadãos”, ressaltou.

Enfim, como nos outros dois debates já realizados, as discussões e comentários seguem com total civilidade.

Então, continuemos o debate: Se o Jeitinho Brasileiro é mais positivo ou negativo para o país, fica a critério de cada um. O mais importante é que nunca percamos a capacidade de reflexão, especialmente, sobre nós mesmos!

Réplica da defesa

Cassius Coelho

Diretor Comercial da MARPE Auditores e Presidente do SESCAP-CE

Muitas visões foram apresentadas sobre o tema, algumas contra e outras a favor, com justificativas plausíveis e oportunas para embasar as posições apresentadas pelos participantes.

Gostaria, portanto, de colocar maiores esclarecimentos sobre nossa posição sobre o assunto debatido, principalmente sobre o que somos “a favor” com relação ao jeitinho brasileiro e o que somos “contra”, dentro da proposta estruturada para o debate.

Somos “a favor” do resgate dos princípios éticos e morais de nossa sociedade, sem remendos, sem senões, sem favorecimentos, precisamos ser justos com nós mesmos e com aqueles com quem convivemos nas mais diversas relações sociais.

O jeitinho brasileiro que defendemos e acreditamos é naquele relacionado a nossa competência em fazer negócios com desenvoltura, avaliando os mais diversos cenários possíveis, com habilidade para encontrar soluções e alternativas válidas e corretas, sem no entanto, precisar se valer de artifícios espúrios ou ilícitos para obter vantagens.

Acreditamos no jeitinho diferente com que recebemos nossos convidados em nossas casas, em nossa cidade, turistas de outros países, com afabilidade, gentileza, sem esperar por favores e simplesmente porque é da nossa natureza bem servir.

São inúmeras as situações que teríamos para mostrar que o brasileiro tem sim que se orgulhar pelo seu jeito de ser, que apesar dos tantos sofrimentos que a maior parcela da população é submetida a cada dia, recebendo um salário de miséria, não tendo transporte público de qualidade, não tendo assistência médica digna para um ser humano, não tendo muitas vezes com o que se alimentar, nem por isso, deixa de sorrir e de se alegrar e agradecer por aquilo que tem, buscando encontrar refúgios e compensações em coisas alternativas, seja fazendo trabalhos voluntários ou participando de projetos culturais com a comunidade, torcendo pelo seu time do coração, ouvindo suas músicas preferidas. São válvulas de escape para uma gente sofrida, mas que não desiste.

Claro está que temos muitas pessoas que não buscam seguir o trilho da retidão de caráter e de conduta, e como é normal que aconteça, são esses casos que são levados ao conhecimento nas mídias, quando envolvem escândalos, falcatruas, desmandos, etc. O “lado negro” do jeitinho brasileiro infelizmente será sempre melhor “vendido” pela mídia do que as boas ações. Se fizermos uma pesquisa dentre os meios de comunicação sobre o tempo destinado a divulgação de bons exemplos e compararmos com aquele destinado a mostrar as mazelas, não resta dúvida que teremos uma massacrante maioria do tempo destinado a mostrar as desgraças alheias.

O que fazer então diante disso tudo? Debater como estamos fazendo aqui, se indignar sempre com a mínima transgressão e procurar fazer nossa parte, sem esperar que os políticos o façam, ou que o outro faça primeiro.

Proponho um exercício simples, que é bem interessante e mostra que nossa tarefa é bastante árdua, mas é necessária. Se desfaça de coisas que tenha adquirido que não são originais, por exemplo, CDs piratas adquiridos de camelôs ou gravados de um amigo, de roupas e acessórios “de grife” compradas da sacoleira amiga que chegou do Paraguai, dos softwares não licenciados que todo mundo usa.

Esses são apenas alguns pequenos delitos considerados normais, mas que precisam ser banidos e combatidos, pois são eles a semente para os maiores que acontecem pelas bandas de Brasília.

O nosso Brasil tem jeito sim, façamos a nossa parte!

Réplica do ataque

Dacier Barros

Professor-doutor em Sociologia, UFPE, Recife

A expressão “jeitinho brasileiro” tem sido tomada por significações das mais diversas ordens: às vezes usadas para explicar a forma maleável do brasileiro, outras vezes para apontar nossa capacidade de conviver com a corrupção e dela tirar proveito pessoal, ou mesmo nossa capacidade de conciliar o inconciliável, e, sobretudo, para exaltar a nossa educação ou respeito pelo outro, o que chamamos de “polidez”.

Em tese poderíamos dizer que realmente todos estes atributos são verdadeiros como agregado de sentidos do “jeitinho”. Ocorre que há algo mais profundo e mesmo mais abstrato no que diz respeito ao significado desta expressão e conseqüências atribuídas a ela.

Desde os primórdios de nossa colonização que os valores definidores das razões institucionais são frágeis e desprovidos de coerção consensual. No entanto os representantes ou dirigentes das instancias públicas ou privadas eram e ainda são portadores de um enorme poder coercitivo, ou seja, a relação representantes versos representados estão plasmadas não nas regras que definem a instituição e sim nas razões imediatas do dia-a-dia que se defrontam nas inter-relações pessoais.

E nisto temos que entender com clareza, que esta singularidade se assenta numa razão cultural que coloca em harmonia a simultaneidade da aceitação e rejeição. Estes dois valores claramente antagônicos se encontram em convívio pacifico no cidadão brasileiro, no caso criticamos com veemência as instituições, mas aceitamos pacificamente as transgressões praticadas no seio delas.

Os historiadores são unânimes em descrever a gênese de nossas práticas religiosas frouxas, formadas num jesuitismo extremamente severo, o exercício do trabalho significativamente irresponsável gerenciado por superiores de extraordinária brutalidade, a moral do pater-família grandiosamente austera, mas em suas práticas cotidianas fora de casa, quanto mais desprovidas do valor moral, tanto mais elogiadas nos meios sociais. Mesmo hoje em dia, poderíamos tomar exemplos simples, porém, esclarecedor.

Basta citar a intraduzível abreviação CDF usada no meio discente, ou seja, aquele estudante que se empenha nos estudos, se volta para a leitura recebe uma adjetivação pejorativa, no entanto todos são bastante “atentos” a uma boa avaliação e para isso esmeram-se em aconchegos. Estes valores contidos na cultura brasileira e que dão sentido a ordem social estabelecida advém de complexas relações sociais construídas ao longo de nossa historia.

Necessita-se de estudos bastante vastos (bibliografia não falta), entretanto, suas conseqüências são perceptíveis. Se enumerarmos alguns exemplos concatenados com o acima exposto, possivelmente entenderíamos melhor, origens e conseqüências do “jeitinho”. A moral religiosa não conseguiu ser a base de uma laicização ética. Construímos o homem de moral dúplice, provido da (In)moralidade na esfera pública e moralidade da esfera privada.

No imaginário do nosso consumidor os bens mercantis produzidos “made in” qualquer outro país têm melhores qualidades que no Brasil, e o trabalho intelectual é extremamente desprovido de valor ou mesmo de significado. É claro que necessitamos aprofundar o debate para um melhor entendido.

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Comentários

Helena Roesele diz:

Hoje eu gostaria de falar de um jeitinho brasileiro positivo, que fôsse agregado às características do povo brasileiro, à exemplo dos países chamados de primeiro mundo.Isto mesmo, que seria um jeitinho que pudesse dar dinâmica à cidadania. Aquele das reações populares. contra à corrupção,aos constantes escândalos, como os muitos que vieram à tona e que envolvem o Congresso Nacional.Que fôssemos às ruas, massiçamente e gritássemos alto e bom som as nossas discordâncias contra estes maus políticos que fazem mal uso dos altíssimos impostos, que somos obrigados a pagar e que são jogados ao lixo em grandes proporções.Não entendo mesmo esta passividade do povo brasileiro.Chamei jeitinho brasileiro para dar força ao tema que ora debatemos, na verdade,seria o caráter cidadão de nosso povo.E isto já está passando da hora.No mais, o Jeitinho Brasileiro está sendo muito bem conduzido não só pelo Ataque, como pela defesa e pelo moderador.Vamos lançar um debate, porque o povo brasileiro não consegue assimilar seus desacórdos, aos governos caóticos? E lutar contra eles? Helena

18/5/2009, 16h45

Antonio Gomes Lacerda diz:

Por que sou contra o tal jeitinho brasileiro? Verifico, posso até estar errado, que é dificil a convivencia entre é etica e o jeitinho brasileiro. Como para mim a ética é a bussola que aponta o rumo de minha navegação no mar historia,optei por não perder este rumo. Antonio Gomes Lacerda antogola@oi.com.br http://antoniogomeslacerda.blogspot.com

17/5/2009, 10h27

David Hulak diz:

Eu sabia que o grande botafoguense iria aparecer. Gerson foi lá e leu um texto preparado por um redator de agencia e aprovado pelo cliente. Ficou marcado. Como João Cleofas com um tal de "Zé ninguém"- que não se sabe se ele disse,no duro ( não é, Aloisia Falcão?) ou FHC,ao criticar os que se aposentam aos quarenteepoucos anos, e virou o algoz dos aposentados ( não é?, antiga oposição?) Sobre o asunto em debate,uma dúvida:existem jeitinho ético e jeitinho? alma sebosa?

16/5/2009, 11h40

Gerdil Azeredo diz:

O jeitinho brasileiro é simplesmente a LEI DO GERSON, ou seja levar vantagem em tudo, Certo? Na atualidade os governos atuais tentam se manter no poder por este jeitinho. Se muitos são corruptos, ser corrupto passou a ser normal e honesto é um trouxa. Certa vez, um amigo em debate político me diz em plena discussão: Só voce é quem pensa assim, só voce. Sou brasileiro de estatura mediana, gosto muito de fulana mas ciclana é que me quer. Enfim, me retirei da discussão e me recolhi a meus livros. Gerdil.

16/5/2009, 1h10

fredemoura diz:

OS argumentos utilizados para abordar o tema, é essencialmente inrelevantes,já que a sociedade Brasileira é de total subserviência desde tempos coloniais, ou seja vire-se para sobreviver dignamente ou irá sucumbir diante de tantas injustiças. A quem deve-se recorrer? Ninguém sabeentãos sou favor do jeitinho, jeitosoo ocasional.

15/5/2009, 12h49